Cascavel pensa pequeno

Quando assumiu o Cascavel Convention & Visitors Bureau (CCVB) no ano passado, o empresário Felipe Casagrande sabia que a tarefa seria árdua. O trabalho de captação de eventos, fomento do turismo e a inserção de Cascavel nos destinos turísticos nacionais, principalmente o turismo de eventos, embora viável, demanda união de esforços. Nesta entrevista, Casagrande fala sobre a necessidade de pensar coletivamente e acreditar no potencial da cidade, que, embora tenha suas deficiências, tem muito a oferecer.

O turismo pode ser o novo agronegócio?

Acredito que mais que isso, o turismo tem um potencial que atinge diretamente a população de forma horizontal, sem pontes, sem prazo, sem interferência de clima ou do meio. Basta você enxergar o turismo com os próprios olhos de quem o utiliza. Pensa você, em uma viagem, o que você faz quando está fora da sua casa? Você precisa se hospedar, comer, beber, se locomover, comprar uma lembrança, se divertir, ou seja, são muitos setores beneficiados.

Cascavel tem uma visão pequena sobre seu potencial turístico?

Talvez não seja só no turismo que Cascavel esteja pensando pequeno. Precisamos como um todo ser mais bairristas no bom sentido, ou seja, aproveitar e fazer acontecer com o que temos. As lamúrias, as reclamações, os defeitos, claro, todos sabemos que temos e queremos melhorar, mas esperar e não agir é o maior erro. No turismo não é diferente, claro que temos pontos críticos, como nosso aeroporto, mas e aí? Será que precisamos esperar estar tudo perfeito pra trabalhar?

Qual o principal obstáculo para o desenvolvimento do turismo em Cascavel? Seria a mentalidade do próprio empresário?

Precisa do esforço de cada empresário, de cada parceiro, estilo trabalho formiguinha. Ninguém alcança seus objetivos sozinho. O CCVB e o turismo em si não são uma ilha. É preciso apoio, esforço, entrega, dedicação, e, sobretudo, acreditar que possamos melhorar e construir uma Cascavel melhor. Entender a essência do CCVB, que é captar eventos para o melhor desenvolvimento da cidade.

Estamos a 130 km de Foz, um dos destinos mais visitados do mundo, porém não conseguimos aproveitar este público. Como analisa isso?

Destinos com forte apelo turístico, como belezas naturais, no caso de Foz, costumam trabalhar isolados do seu entorno, mas, começamos a melhorar essa ligação e estreitamento de relações. Primeira visão disso é a criação da ciclovia, um começo de aproximação. Claro, tem inúmeras situações que podemos aproveitar a cidade da fronteira, mas aí, voltamos para o esforço do empresário daqui, em querer esta parceria, em buscar aproximação. No que depender do CCVB Cascavel, isso será uma bandeira que iremos defender.

Falta infraestrutura?

Como já disse, faltar sempre irá faltar, até porque o ser humano é um eterno insatisfeito; contudo, precisamos ser mais criativos, mais perspicazes talvez no quesito “defender nosso chão” e olhar o lado bom daquilo que temos. Claro, algumas bandeiras, como aeroporto regional, mercado municipal, duplicação daqui a Matelândia, centro de eventos maior e mais completo são visões que qualquer empresário e um pouco conhecedor do trade turístico sabem que podem melhorar nesta captação de eventos. Mas, no que tange a hotéis, restaurantes e entretenimento, já estamos bem servidos.

De que forma o governo e o setor privado podem trabalhar juntos?

Trabalhar em conjunto com o mesmo objetivo, ou seja, desenvolver mais a Capital do Oeste. Parcerias público/privadas são sempre bem-vindas, além de hoje, por exemplo, ter o Comtur, órgão que compete a tomada de decisões e destinações de verbas com interesse no turismo.  Com esse tipo de conselho, conseguimos deixar mais transparente todo o processo de investimento no setor. A prefeitura será beneficiada quando o assunto é turismo, pois qualquer dos serviços prestados aos turistas, em sua grande maioria, gera ISSQN. Portanto, o CCVB e a prefeitura podem e devem caminhar juntos.

O Convention foi reativado o ano passado. Qual o balanço deste primeiro ano de mandato? Quais avanços?

Os avanços são em todos os aspectos. O nosso quadro de associados, que vem crescendo e abrangendo diversos setores do trade turístico, é um exemplo. Parcerias firmadas com Conselho de Turismo (Comtur), Secretaria de Desenvolvimento de Cascavel (Semdec) e Agência de Desenvolvimento (Adetur), resultaram em um estande permanente no centro de eventos e o repasse de recurso para criação de mídia da estrutura turística da cidade. Estamos em fase de projeto da criação de um “book” de apresentação da cidade, em que iremos visitar cada entidade com intuito de ela, a entidade, na figura de representante, ser um porta-voz, um embaixador de Cascavel lá fora. Temos vários eventos apoiados e captados, assim como participação em feiras e exposições.

Hoje são quantos associados?

São 14 empresas engajadas nessa causa. Mas esse número não para de crescer e temos a meta de crescer muito em 2018. Todos estão convidados, pois termos benefícios a oferecer. Basta entrar em contato com nossa executiva, a Cristiane, pelo email  executivo@visitecascavel.com.br ou pelo fone (45) 9 88094660.

E, quais as expectativas para este ano?

As expectativas são as melhores possíveis, pois não está faltando esforços de todos os envolvidos, e, acreditamos que as ideias e projetos acontecendo mostrarão a todos os envolvidos que tudo é para o desenvolvimento sustentável do turismo no município.

Para manter sua estrutura, captar eventos e fomentar o turismo, o Convention precisa de aporte financeiro. Hoje, de quanto a entidade precisa para promover essas atividades?

Olha, num primeiro momento, estamos engatinhando nesse quesito, e só graças ao esforço de poucos é que começamos a ganhar esta batalha. Se quisermos chegar mais longe, ser como é o CCVB de Maringá, Londrina ou Chapecó, teríamos que ter muito mais mantenedores, não só os atuais 14, mas acredito que no mínimo 50 empresas. Aí sim os resultados seriam muito mais rápidos do que têm sido. Sem dinheiro todos sabem que é muito difícil prosperar. Mas a luta está apenas começando, nós iremos conseguir.

 

Texto Matheus Bez Batt

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